O BRAGA NO SEU INÍCIO
 

Ao que consta foi por volta de 1911 que se começou a jogar futebol em Braga. A “moda” parece ter vindo da cidade do Porto, onde os muitos ingleses que aí habitavam introduziram este desporto. Em Braga, o futebol resumia-se a uns pontapés na bola aos domingos à tarde. O lugar utilizado era conhecido pelo nome de “Goladas”. Sinceramente, não faço a mínima ideia onde ficava. Alguém sabe?
Aos poucos o hábito ia fazendo sucesso, principalmente entre os estudantes. Assim se foram formando vários grupos espontâneos que deram origem aos primeiros clubes bracarenses: o Liberdade Futebol Clube, o Sport Clube de Braga e o Estrela Sport Club. Estes três grupos disputavam renhidas partidas no campo das Goladas que iam fazendo a propaganda do jogo.
Foi na sequência deste entusiasmo que um grupo de estudantes fizeram nascer o nosso Enorme: Malheiro, Carlos José de Morais e Eurico Sameiro. A eles devemos a existência do nosso clube.
Foi no ano de 21 que o meu Braga nasceu...
Entretanto, o campo do antigo colégio do Espírito Santo (onde seria?) tornou-se o primeiro recinto do Enorme, relegando para segundo plano o de Goladas. O primeiro grande jogo, como que o “baptismo” do arsenal do Minho foi efectuado contra o Dafundo. Este jogo, autêntico sucesso, fez do Sporting de Braga o principal clube do Minho. Daí que tenha conseguido arrecadar os melhores jogadores do distrito. Infelizmente não consegui descobrir o resultado.
O principal responsável por este sucesso, aquele que foi o mecenas do futebol bracarense, o mesmo é dizer, o “homem que entrou com a massa” foi o famoso comendador Nogueira da Silva. Foi ele quem comprou, do seu bolso, o novo campo de jogos: o Campo do raio (ali junto ao actual C. C. do Rechicho). Foi também ele, também com dinheiro próprio que adquiriu alguns dos melhores jogadores portugueses: Neca, Zezinho e principalmente o grande craque do Benfica António Augusto, a primeira estrela do arsenal minhoto. A. Augusto era já internacional e tinha sido o marcador do primeiro golo oficial da selecção nacional.
No Braga, ele foi também o primeiro internacional. Jogou contra a Checoslováquia (empate a um), em 24 de Janeiro de 1926. Duas curiosidades: esse foi o ano em que, no dia 28 de Maio, o almirante Gomes da Costa saiu de Braga com o regimento de Cavalaria para impor o regime fascista em Portugal. Outra curiosidade: só 32 anos mais tarde o Braguinha haveria de ter outro internacional: Ferreirinha (vitória sobre a África do Sul por 3-1 em 16 de Novembro de 1958).
Voltando a 1926: o Braga conseguia, pela primeira vez, passar à segunda eliminatória do Campeonato de Portugal, batendo o Vianense por 1-0. Depois, foram os quartos de final em que perdemos com o F. C. do Porto por 3-0. Nos anos anteriores tínhamos ficado pela primeira eliminatória: perdemos com o Vianense por duas vezes (2-0 e 2-1 em 1923 e 1924) e com a Académica, em 1925, por 2-1.
Em 1927 o Enorme brilhou. Causou sensação ao eliminar o leixões, que então era um dos favoritos ao campeonato. E foram logo 3-0! Depois, na eliminatória seguinte perdemos com o Benfica mas apenas por 4-3.
Caros amigos, o episódio de hoje é um pouco mais triste. Mas talvez se arranje um final feliz. A ver vamos.
Corria o ano de 1927 e, como vimos, o Enorme começava a brilhar. Era ainda uma criança de seis anos, magra, escanzelada mas firme e vigorosa, sob a protecção do grande patrono que foi o comendador Nogueira da Silva. Fizemos figura briosa nesse ano mas, logo a seguir, veio o descalabro. Naquela altura não se cobrava bilhetes, as entrades eram livres. Só que o Braguinha arriscara demasiado. Os craques A. Augusto, Zezinho, etc eram profissionais e os rendimentos eram muito poucos para lhes pagar. Nogueira da Silva começava a conter-se nas suas dádivas ao clube, cansado de ser o seu único financiador. Sem o dinheiro dele, o clube é obrigado a vender o campo do raio aos seus antigos donos. Pior que isso, os “craques” abandonam o clube. A maioria dos sócios deixou de pagar as quotas.
As consequências desportivas não se fizeram esperar. No Campeonato de Portugal, que continuava a ser disputado por eliminatórias, na época de 1927-28 perdemos na primeira eliminatória com o Leça por 2-1. O pior estava parta vir:
1928-29: Braga 0 – Porto 13.
1929-30: Salgueiros 13 – Braga 0
Ainda pior: o Vitória de Guimarães aparecia a tomar o lugar do Enorme, que durante alguns anos deixou de participar nas provas oficiais. Foi já na década de 30 que ganhou novo fôlego. Sim, porque quando se é grande a alma renasce sempre. A alma e o dinheiro, diga-se de passagem: António Machado e Augusto Martins foram alguns dos heróis que fizeram renascer o Braguinha, injectando dinheiro do seu bolso e acalmando os credores. A estes heróis juntou-se um novo grande Mecenas: o Dr Felicíssimo Campos, graças a quem foi possível voltar a ir buscar o já veterano mas valorosíssimo Alberto Augusto que foi recebido em Braga como um herói. Voltava o entusiasmo, voltavam os sócios, renascia o espírito do lobo suevo (gostei deste à-parte).
Fez-se então a maior inauguração destes tempos: o Campo da Ponte. Infelizmente não consegui descobrir a data da inauguração do campo, mas devia andar por volta de 1940.
Formada a equipa, a reaparição em competições oficiais deu-se em 1942. Na taça de Portugal fomos eliminados no primeiro jogo, por 4-0, pelos Unidos de Lisboa. Mas no campeonato nacional da segunda divisão, já com entradas pagas no campo da Ponte, conseguimos chegar às meias finais, perdendo com a Sanjoanense por 4-2. Só na época de 1946-47, o Braga aparecia em condições de disputar a subida de divisão. Para isso teria que ganhar a poule de apuramento, em que estava envolvido juntamente com o Lusitano de Évora, Oliveirense e Onze Unidos. Resultados:

Braga 2 – Lusitano 0
Lusitano 1 – Braga 0
Braga 2 – Oliveirense 0
Oliveirense 1- Braga 0
Braga 5 - Onze Unidos 1

Faltava um jogo. Tínhamos que ganhar para ultrapassar o Lusitano. O jogo em Lisboa, com o onze Unidos era decisivo. Era preciso ganhar a todo o custo.
A equipa alinhou da seguinte forma:

GR: Salvador (curioso...)
Defesas: Palmeira e Veloso.
Médios: Daniel, Sobral e Joaquim.
Avançados: Barros, Maciel, Mário, Frederico e Cassiano.

Ou seja, uma táctica de 2*3*5 (!!!)
Resultado final:

Estão ansiosos por saber, não estão?

 

cardoso@superbraga.com